As histórias do Camilo

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O Camilo era famoso por inventar histórias mirabolantes nas quais fora personagem, mas que não tinham qualquer possibilidade de serem situações reais.

Os seus ouvintes escutavam-no, não por estarem interessados nos factos que ele narrava, mas para no final lhe mostrarem porque é que a narração não poderia ser considerada verdadeira.

Enquanto decorria o intervalo do jogo “a feijões” Koweit – Portugal, realizado este ano, o Camilo, a propósito de um dos seus amigos ter deixado cair uma nota de 10 euros no chão.

- “Isto aconteceu-me..deixa cá ver…há 10 anos. Na altura estava a trabalhar em Lisboa e lembro-me bem por que foi exactamente uma semana depois de eu fazer anos.

Ia de manhã para o emprego, cerca das sete da manhã, quando me apercebi de uma carteira caída no chão. A rua era pouco movimentada e como estava numas ervas que cresciam junto da base de uma árvore, quem tivesse passado antes de mim não a viu. Poderia também ter-se dado o caso de ter sido a última pessoa que por lá passara que a deixara cair. Se tivesse acontecido algum tempo mais tarde, já não seria eu a ter a sorte do meu lado”.

O Camilo fez uma pausa olhando os seus ouvintes. Estas paragens eram frequentes, ficando sempre a aguardar que uma qualquer voz acrescentasse.

- E depois…?

- “Bem! Depois peguei na carteira para ver se tinha identificação. Nada! Apenas tinha dinheiro.”

Nova pausa.

- E depois…?

- “Tinha lá duas notas de 100 euros novinhas em folha. Eu nunca vira tanto dinheiro só numa nota. Ainda pensei ir entregar à polícia, mas como não havia identificação, pensei  para mim que não devia deitar tanto dinheiro fora. Ficava melhor no meu bolso que num armazém de achados da polícia.

Mais uma pausa.

- E depois…?

- “Como eu nunca tinha visto notas tão altas, desconfiei que pudessem ser falsas, e por isso na hora do almoço consegui ir numa corrida a um banco para me dizerem se eram verdadeiras.

Quando tive a certeza que me tinham caído duzentos euros nas mãos nem queria acreditar. Querem saber o que eu fiz com esse dinheiro?

Nova pausa.

Ninguém disse:

- E depois…?

Ouviu-se uma voz.

- Imagino que ainda os tenhas aí guardados porque amanhã fazes anos e vais ter oportunidade de os gastar com os amigos.

Uma gargalhada coroou este dito.

Entretanto recomeçava a segunda parte do jogo e mais ninguém ligou ao Camilo.

Só no final do jogo alguém se lembrou.

- Então amanhã cá estamos, Camilo. Não te esqueças dos 200 euros.

 

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Claro que os amigos do Camilo se aperceberam de que a história era falsa. Pede-se que os leitores-detectives indiquem os pormenores que impossibilitam o episódio narrado pelo Camilo de ser verídico

 

Como podem ver é fácil. Os leitores-detectives podem enviar a resposta para o endereço indicado no canto superior direito. (pauloviegas@esenviseu.net).